‘Josu Ternera’, antigo líder do grupo ETA, é preso na França após 17 anos foragido


Ternera estava desaparecido desde 2002 e, julgado à revelia, vai direto para a cadeia. Jose Antonio Urruticoetxea Bengoetxea, conhecido como ‘Josu Ternera’, ex-líder do grupo separatista basco ETA, em imagem de arquivo de arquivo de 3 de setembro de 2000, na França Bob Edme/ Arquivo / AP Photo O histórico líder da organização separatista basca ETA José Antonio Urrutikoetxea Bengoetxea, mais conhecido como Josu Ternera, foi detido na região dos Alpes, na França, nesta quinta-feira (16). Ele estava foragido da justiça espanhola havia 17 anos. O ministério do Interior espanhol anunciou em um comunicado que detenção do líder da organização, dissolvida há um ano, "aconteceu nas primeiras horas do dia na localidade de Sallanches nos Alpes franceses". Ternera, de 68 anos, é descrito no comunicado como "o militante da organização terrorista ETA mais procurado pelas forças policiais, tanto espanholas como francesas". Por já ter sido julgado, ele não será apresentado diante de um juiz de instrução, mas irá diretamente para a cadeia. O governo francês não divulgou ainda onde Ternera cumprirá sua pena, mas fontes judiciais informaram à agência Efe que ele irá para uma prisão francesa para cumprir os oito anos da sentença recebida em 2017. Como foi julgado à revelia, Josu Ternera poderá apresentar um pedido para que o processo se repita ou aceitar a pena que lhe foi imposta. A Espanha não tem nenhuma causa aberta para reivindicar sua extradição, ainda de acordo com a agência Efe. A imprensa diz que ele sofre de um câncer. Jesu Ternera, em imagem de 23 de agosto de 2002 Rafa Rivas / AFP Photo Atuação no ETA O Euskadi Ta Askatasuna (País Basco e Liberdade) foi criado na resistência contra a ditadura de Francisco Franco e atuou durante 40 anos pela independência do País Basco e Navarra. Depois da morte do ditador, o grupo intensificou suas ações, gerando uma espiral de ódio que também teve a participação de grupos de extrema-direita e associações parapoliciais como os GAL, criados nos anos 1980. Neste período, o grupo assassinou mais de 800 pessoas. Ternera liderou o ETA de 1977 a 1992. Neste período ele privilegiou a estratégia do terror para forçar o governo espanhol a negociar com o movimento separatista basco. Os especialistas atribuem a ele a adoção de atentados com carros-bomba pela organização. Em 2002, ele fugiu da justiça espanhola depois de ter sido convocado pelo Tribunal Supremo para depor sobre o atentado de 1987 contra um quartel da Guarda Civil em Zaragoza, que deixou 11 mortos, incluindo crianças. Na clandestinidade, participou nas negociações com o governo socialista espanhol durante uma trégua em 2006, mas foi afastado para que integrantes da linha mais dura do grupo assumissem o comando. O processo fracassou: em dezembro de 2006 o ETA explodiu uma bomba no aeroporto de Madri, que matou dois equatorianos, e em junho de 2007 deu por encerrado o cessar-fogo. O grupo abandonou a luta armada em 2011 e, em maio de 2018, anunciou a dissolução. Ternera foi o responsável por gravar a chamada "declaração final", que colocou fim à atuação do grupo. A dissolução do ETA não acabou com os esforços da justiça contra a organização, que é suspeita de participação em mais de 350 crimes ainda não solucionados. Integrantes do ETA anunciam o abandono completo das armas, em vídeo publicado nesta quinta-feira (20) Reuters Initial plugin text
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