Quem é o Novo IRA, grupo extremista que assumiu a morte de jornalista na Irlanda do Norte


Organização foi criada há menos de uma década com a fusão de grupos que rejeitam acordo de paz de 1998 entre irlandeses e britânicos. No muro, a pichação ao lado do nome do IRA completa os dizeres "O IRA acabou", fotografada no dia 20 de abril depois do assassinato da jornalista Lyra McKee, na Irlanda do Norte. Clodagh Kilcoyne/Reuters O Novo IRA (IRA é sigla em inglês para Exército Republicano Irlandês) ganhou destaque no noticiário britânico após o assassinato da jornalista Lyra McKee, na última quinta-feira. McKee, de 29 anos, levou um tiro na cabeça enquanto acompanhava um protesto no conjunto habitacional Creggan, em Londonderry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte. Segundo o jornal Irish News, o Novo IRA assumiu a autoria do ataque. Em comunicado ao jornal, o grupo pediu desculpas a parentes e amigos da jornalista. McKee estava perto de um carro da polícia quando um homem mascarado atirou contra o carro e pessoas que observavam, atingindo a jornalista. Acredita-se que o Novo IRA tenha surgido entre 2011 e 2012. Lyra McKee, em Belfast, em foto de maio de 2017 Jess Lowe Photography/Handout via REUTERS O grupo foi formado a partir da fusão de organizações menores, como o IRA Real. Este, por sua vez, surgiu de uma cisão no IRA Provisório (Pira) em outubro de 1997, quando o partido Sinn Féin – historicamente associado ao IRA – encampou o processo de paz entre nacionalistas norte-irlandeses (nesse caso, são majoritariamente os católicos que queriam a unificação com a Irlanda) e a Grã-Bretanha. A morte de McKee ocorreu 21 anos após a assinatura do Acordo de Belfast (conhecido como Good Friday Agreement), que pôs fim a décadas de turbulência na Irlanda do Norte. Estima-se que 3,6 mil pessoas tenham morrido no conflito. O pacto foi resultado de intensas negociações entre o Reino Unido, a Irlanda e partidos políticos da Irlanda do Norte. Os conflitos no território se intensificaram nos anos 1960, opondo nacionalistas e unionistas (protestantes que queriam a permanência no Reino Unido). Novo IRA Mulher para e reza junto a flores deixadas no local onde Lyra McKee foi morta a tiros, em Londonderry, Irlanda do Norte. Clodagh Kilcoyne/Reuters Desde sua criação, o Novo IRA já foi associado a quatro assassinatos. Na terça-feira, a polícia confirmou a prisão de uma mulher de 57 anos que estaria envolvida com a morte da jornalista. Ela foi presa com base na legislação antiterrorismo. A polícia tem pedido que pessoas compartilhem informações sobre o ataque. O comunicado do Novo IRA foi divulgado após o partido político esquerdista Saoragh – apoiado pela organização extremista – tentar justificar a violência ocorrida na quinta-feira, o que fez amigos de McKee protestarem em frente à sede do partido. Mulheres espalharam tinta vermelha sobre slogans do partido do lado de fora de sua sede. Karen Bradley, secretária do governo do Reino Unido para a Irlanda do Norte, fará um pronunciamento no Parlamento britânico sobre o assassinato. Ela participará do funeral de McKee na quarta-feira. O presidente e o primeiro-ministro da Irlanda, Michael D. Higgins e Leo Varadkar, também comparecerão.
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