Brexit: o divórcio cada vez mais sem saída no Reino Unido


Parlamento britânico aprova proposta do governo para adiar desligamento da União Europeia, mas poucos acreditam que prorrogação ajudará a destravar impasse. Primeira-ministra britânica, Theresa May, defende nesta terça (12) projeto de acordo do Brexit na Câmara dos Comuns, em Londres Jessica Taylor/Handout via REUTERS De votação em votação no Parlamento britânico, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia torna-se mais desgastado, aprofundando o fosso entre a Câmara dos Comuns e a primeira-ministra Theresa May, entre ela e seu partido, entre ela e o bloco europeu. O tumultuado divórcio entrou no plano sem saída. O Parlamento rejeitou duas vezes o acordo sobre o Brexit proposto por May. Em nova derrota para a premiê, descartou abandonar a UE sem acordo. Derrubou por 249 votos a possibilidade de um segundo referendo sobre a saída. Mas uma maioria de 412 contra 202 deputados aceitou esta tarde a oferta do governo de pedir ao bloco europeu para prorrogar a data da retirada, que ocorreria em apenas 15 dias. Em troca, o acordo para a saída será votado, pela terceira vez, na próxima semana. A UE terá que aceitar formalmente a extensão do prazo, já sinalizada por seus principais caciques em Bruxelas. Impera, contudo, o ceticismo de que o adiamento do Brexit ajudará a destravar o impasse que paralisa o país há dois anos e meio. Seus protagonistas mostram-se mais preocupados com o papel que a História lhes reservará do que com o destino do Reino Unido e todos os prejuízos que que serão deflagrados pelo fim de mais de quatro décadas de aliança com a União Europeia. May destacou-se pela capacidade de sobreviver a derrotas até então inimagináveis na política britânica. Falhas na comunicação do processo de saída, seu estilo centralizador e a questão da Irlanda minaram a credibilidade da premiê diante dos britânicos e, sobretudo, diante dos partidários conservadores. Manifestante anti-Brexit protesta em Londres enrolada em bandeira da União Europeia Dylan Martinez/Reuters Nas palavras de Aditya Chakrabortty, colunista do “Guardian”, Theresa May tornou-se o principal saco de pancadas da nação. Caiu de pé às tentativas de nocaute: em uma moção de desconfiança interna em seu partido para tirá-la da liderança e em outra apresentada pelos trabalhistas para afastá-la do governo. Entretanto, o Brexit não é somente sobre May. Os partidários mais fervorosos do divórcio, os eurocéticos que compõem a ala radical dos conservadores, serão lembrados justamente como os responsáveis por terem impossibilitado qualquer acordo até agora. Sob o falso argumento de que o Reino Unido estará associado indefinidamente à União Europeia, os defensores do Brexit postergaram debates e decisões, mergulhando o país numa crise de governabilidade sem precedentes, com sérios riscos à sua economia. Selo Sandra Cohen Arte/G1
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